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Jornais inteligentes para telefones inteligentes

O dilema de um setor que sobrevive dividido entre dois mundos: tradicional e digital

A ombudsman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, publicou uma reflexão bem realista sobre o atual momento da mídia impressa, em específico, dos jornais, é claro.

A página com 56 cm de altura por 31,7 cm de largura é do tempo em que os jornais chegavam às casas para preencher lacunas de informação. O visor do meu celular tem 10,5 cm por 6 cm. Hoje, as notícias chegam à mão a todo minuto. Essa diferença dá a dimensão do desafio que jornais do mundo todo enfrentam agora.

O futuro imediato exige que os jornais inteligentes se enquadrem aos visores dos telefones inteligentes.

Como levar jornalismo de qualidade para um espaço físico menor, sem apequená-lo? As respostas à redução de tiragem impressa e de receitas publicitárias variam de jornal a jornal, de país a país.

Dois dos principais jornais globais, o americano "The New York Times" e o espanhol "El País", anunciaram recentemente que suas operações passam a priorizar as versões digitais.

Nas palavras do diretor Antonio Caño, "El País" vai se converter em "um jornal essencialmente digital; em uma grande plataforma geradora de conteúdos que distribuirá, entre outros, o melhor jornal impresso da Espanha".

“Não me importa tanto quando vai desaparecer o jornal em papel. Minha preocupação é que El País continue a existir, a dar informação com os mesmos critérios, com as mesmas exigências de rigor e de qualidade, quando o papel desaparecer ”, sentencia Antonio Caño, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Leia na íntegra a matéria da ombudsman, Paula Cesarino Costa, neste link.

Após essa breve introdução aos desafios da produção e distribuição de conteúdo jornalístico via mobile, apresento alguns pontos que considero essenciais na trajetória do impresso & digital.

A agência We Are Social mostrou em sua pesquisa “Digital in 2016”, que no Brasil o número de dispositivos móveis já atinge 91% da população, ou seja, nas áreas urbanas há praticamente um celular por pessoa.

Atualmente não há uma plataforma ou formato definido, quando pensamos na distribuição de conteúdo jornalístico via mobile. 

A barreira tecnológica é apenas uma etapa neste processo, minha experiência em redações e com profissionais da área permite-me dizer que o maior desafio está na cultura editorial.

Ainda há empresas (editoras) que tratam o impresso e digital como concorrentes!

O momento exige uma visão de futuro. No Brasil, muitas editoras ainda possuem no impresso sua principal fonte de renda, mas até quando? É preciso olhar para fora da caixa, sair da “zona de conforto”, e equilibrar a balança de investimentos entre impresso e digital.

É crucial iniciar uma experiência digital hoje, agora! Editoras, em especial, de jornais, revistas e periódicos em geral precisam criar uma cultura digital, em seus leitores, anunciantes e, principalmente, nos seus jornalistas.

"A experiência jornalística é originalmente pensada para o papel, adaptada para a tela de computador e readaptada para o celular."
Paula Cesarino Costa

La Presse

Para fechar este texto compartilho um exemplo de jornal inteligente. Conheçam o diário canadense La Presse.

A presença digital do La Presse é, sem dúvida, um case positivo sobre como distribuir notícias no mobile.

A versão para tablet do periódico apresenta uma navegação clara no topo da página, combinando o bom uso de recursos interativos. Reparem que o projeto mantém algumas referências visuais do layout impresso, mas não vemos um facsímile do impresso.

Destaque para o app em smartphones. Simples e extremamente funcional, respeita os limites das telas mobile. Nota-se uma clara preocupação com a usabilidade, para assim oferecer uma excelente experiência de leitura.

Baixe o aplicativo da La Presse, disponível para Android (tablet - smartphone) e iOS (tablet - smartphone)

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